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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Utilidade Pública

E aê galera ! A falta de idéias para um post, aliados a uma infortuna volta ao trabalho me fez ficar alguns dias fora, mas vamos tirar o atraso hoje (ui) !! O bom que nisso me veio um inside para um post, mas uma vez voltado aos quadrinhistas nacionais.

Ok, não sou nenhum Scott McCloud, mas tenho algo em comum com ele: gosto muito de estudar os quadrinhos. Na minha biblioteca os best-sellers são quase um calço de mesa, a maioria dos livros é sobre história, sobre artistas plásticos, ilustração e teóricos sobre arte sequencial... Pensei num texto voltado a quem cria sozinho, e as vezes sente aquele vazio no coração (ui) quando está desenhando ou escrevendo. Então ai vão algumas dicas para que nossos quadrinhos e roteiros fiquem mais legais :

Ninguém sabe desenhar tudo - Adoro comics, mas todo mundo sabe que antes do mangá começar a bater na porta dos americanos, muitos criadores mandavam as favas as
referências fotográficas. Não digo isso em respeito ao desenho de figura humana, pois nesse caso dependendo do estilo do desenhista isso será imprescindível ou não. Mas para dar mais verosimilhança a nossos mundos, é muito importante que eles pareçam com o mundo real. Mesmo mundos imaginários tem ligação com o real, peguem qualquer filme com temática medieval e vejam se o visual dos personagens, cenários, adereços e roupas não remetem a determinada civilização que já existiu aqui em nossa fétida Terra. Essa ligação que torna a história relevante, ao menos visualmente. Não que seja necessário reproduzir fielmente algum cenário conhecido, tipo, se você vai desenhar uma perseguição no centro de São Paulo, algumas coisas ninguém vai perceber que não existem, mas outras farão muita falta. Podemos desenhar a Avenida Paulista inteira sem referências de nada, mas se não tiver ao menos o prédio da Fiesp ou o Masp, quem vai acreditar que é a Paulista ? O mesmo aconteceria com os veículos, sem
uma referência legal para os carros da perseguição, e os outros carros na pista, todos os carros ficariam como caixas de papelão com rodas, ou como o 1313 do Pato Donald.

Querem um ótimo exemplo ? Tintim ! O Hergé nunca saiu da Bélgica, mas como seu personagem deveria viajar por todo o mundo o cara tinha livros com fotos de tudo quanto é lugar, bem como de veículos e vestimentas da época. E pra quem já leu, sabe que podemos nos sentir naquele país.


Crie um método próprio de trabalho - Pouca gente tem grana pra 'só' estudar arte. Bons tempos
os de Miguel Ângelo, que a igreja pagava tudo. Então antes de virarmos os donos do mercado nacional de quadrinhos, temos que ralar como reles mortais por muito tempo.

A grande treta para muitos, inclusive eu, é administrar o tempo livre. Mas se querem que esse divertido hobby realmente vire alguma grana, mostrem serviço. Desenhem até dentro do onibûs, na igreja, na casa da sua sogra, metam calos nesses dedos nerds !! Depois de um dia estressante com um chefe fdp, e clientes mais fdp ainda, a primeira coisa que pensamos é dormir. Bom, as vezes comer um pratão de comida e tomar umas geladas... A dica é, se quer trabalhar com quadrinhos, terá que trabalhar duro pra ser um quadrinhista. Dane-se se vc não tem tempo pra desenhar, é um desculpa que só vale pra você. E não adianta desenhar uma história e fazer algumas ilustrações, esperando algum abençoado publica-lo do nada. Primeiro porque temos o costume de mostrar os trabalhos só para os amigos, e a não ser que eles sejam donos de editoras ou influentes na cena, você não vai publicar só assim. Segundo, se não mantivermos um ritmo no trabalho, ficamos defasados rapidamente, o traço aparenta ser feio, e o portfólio parece feito por vários artistas (ruins) diferentes.

Algumas distrações como filmes e games até podem incitar nossa criatividade, mas não podem tomar todo nosso tempo livre. Caras famosos como Joe Madureira já ficaram muito tempo sem public
ar devido ao dominio exercido pelos video-games :)

Não sei se me fiz claro mas a dica aqui é: se sonha com algo para sua vida, lute com todas as suas forças por isso. Durma menos e se aperfeiçoe mais, haverá tempo para descansar depois de morrer !

Viva a vida, e seja original - Algumas histórias clichês são legais, mas fadadas ao esquecimento. Você adora o Japão feudal, samurais e essa zica toda ? Quer fazer uma hq sobre isso ? Então faça ! Mas seu enredo de teralgo nunca visto, ou visto por um outro prisma. Senão irá ter problemas sérios. Por que vou ler uma história mal feita de um desconhecido pretenso quadrinhista brasileiro, se hoje as bancas (e para alguns os scans) me oferecem material de qualidade superior e de desenhistas consagrados ?
Aproveitar as experiências que temos na vida real pode enriquecer e muito nossos roteiros, agora ficar emulando estilos só leva a rejeição dos editores. Por exemplo, hoje já fizeram samurais de tudo quanto é jeito (no Japão) black power, americano, europeu, homossexual. E se fizessemos um samurai brasileiro... e pagodeiro ? Poderia tanto ser um tipo de bardo (?), quanto um traficante, ou um cara boa pinta e namorador, ou um estrangeiro que toca uma 'música estranha'. Existem infinitas possibilidades para esse personagem não acham ? E seria bem diferente do padrão shonen que muitos tentam emular.

E para o caso dos comics tenho um conceito parecido. Todo mundo acha que um cara de ceroulas por cima da calça e collant mete medo em alguém ? Verdade, pensem na realidade brasileira, como seria a idealização de um herói ? Pode ser um policial honesto, um bombeiro, algum líder de comunidade, ou um cara de responsa que dá o exemplo pra molecada. Você pode até criar um herói de ceroulas, mas ele tem de ser crível para a realidade que criou para ele, e para o leitor que quer atingir. Quem gosta de quadrinhos americanos, sempre vai preferir os originais aos nossos genéricos. A não ser que sua forma de contar aquela saga seja original, etraga algo que mantenha o leitor interessado em saber mais sobre o personagem, é claro.

Saiba encher os balões decentemente - Quem lê pouco sabe pouco escrever. Se você só se interessa por quadrinhos e cultura pop em geral NUNCA vai trabalhar com quadrinhos. Ao menos não roteirzando pra outros e pra si. Primeiro, não saberíamos o que colocar na boca dos personagens. Ficaria bizarro se uma gama de atores de uma mesma história, sendo que cada um tem uma experiência de vida diferente, origens diferentes e até se encontrarem, vidas diferentes... falassem sempre da mesma forma! Um professor universitário com três doutorados pode falar diferente de uma dona de casa. Mas não quer dizer que todos que moram na periferia falem como 'manos'.

Até a própria narrativa pode ficar defasada se o texto for fraco. E dependendo do enredo, realmente temos que pesquisar pra sabermos sobre o que falamos. Entenderam a sacada ? Bem, essa última foi rapidinha mesmo.


E foi isso galera, espero que essas dicas coloquem algo de novo na galera que quer fazer quadrinhos aqui pelo Brasil. E quem quiser algo melhor sobre o assunto, pode procurar os livros do Will Eisner e do Scott McCloud, pois merecem espaço na estante de todos que curtem hqs. Até mais...

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