Teste Teste Teste

comments powered by Disqus

terça-feira, 6 de julho de 2010

Marvel Especial 18: Marvel 2099(Ou: O futuro como ele deveria ter sido 15 anos atrás)

Olá, pessoal!
Eu normalmente não costumo ser muito fã de quadrinhos Marvel; eu sempre tenho a impressão de que a cronologia Marvel está alongada DEMAIS(coisa que a DC evitou com suas "Crises", mas isso é outra história), então eu não tenho acompanhado muita coisa recente da "Casa das Idéias"(acho que a última vez que eu acompanhei revistas Marvel foi por alguns meses de Capitão América em formatinho, na Abril) e foi com MUITA surpresa que este mês eu vi nas bancas a Marvel Especial 18: Marvel 2099, com uma BELA de uma que certamente causaria um sorrisinho de contentamento em Dave McKean.

Para quem pegou o bonde andando: originalmente, "Marvel 2099" era uma continuidade da Marvel(sério?) ambientada no ano de 2099(não, jura?); a proposta do cenário era que no começo do século XXI um Grande Desastre havia encerrado a Era Heróica e mergulhado a civilização em um colapso, durante o qual parte de sua história foi perdida (convenientemente evitando que fosse feita uma conexão direta com qualquer evento da continuidade principal). Nessa continuidade, o ano de 2099 tem toda uma atmosfera cyberpunk(algo como os filmes Blade Runner, Minority Report, ou (Deus me perdoe)O Quinto Elemento), com megacorporações dirigindo os Estados Unidos, desigualdade social em níveis alarmantes(nessa época é comum encontrar tribos de mendigos canibais vivendo na cidade) e violência urbana correndo solta(ok, isso não é TÃO fictício); os heróis do século XX são vistos apenas como mitos e lendas do passado(de fato, existe até mesmo uma religião que presta culto a Thor!) e não há muitas informações a seu respeito, até que começam a surgir novos heróis, como o Homem-Aranha, o Justiceiro e os X-Men; todos eles novos heróis que seguem os passos de seus antigos ídolos, (com métodos que seriam um tanto questionáveis para os padrões de suas versões do século XX). A linha 2099 chegou a ser publicada por aqui por um tempo, mas foi cancelada em um dos momentos mais empolgantes, a saga do retorno do Capitão América, que foi deixada incompleta por volta de 1997 (e os fãs de Sandman se achavam órfãos de editoras...).

Pois bem, de volta à edição em mãos: O que temos aqui é uma espécie de reboot da continuidade, alcançando um resultado MUITO mais agradável que sua "antepassada"; trata-se de uma aventura one-shot(na verdade, a minissérie Timestorm 2009-2099 encadernada) estrelando os vingadores Homem-Aranha e Wolverine em suas versões atuais sendo transportados para o futuro, conhecendo suas versões futuras e contracenando com os heróis locais. É interessante que muitos deles são reboots das versões anteriores da Marvel 2099, como o Justiceiro (Jake Gallows, um adorador de Thor), o próprio Homem-Aranha(Miguel O'Hara, filho de um executivo da megacorporação Alchemax) e o Motoqueiro Fantasma(um ciborgue com capacidade de invadir sistemas digitais; a rigor, mais um Deathlok do que um Espírito da Vingança). O que há de mais interessante neste gibi não é nem tanto a história em si, mas a forma como o clima de 2099 foi remodelado; na série antiga, por exemplo, tínhamos um traço demasiado "sujo", por vezes grotesco ou confuso (eu não lembro quais artistas trabalharam nela, mas Homem-Aranha 2099 era uma verdadeira tortura ótica; principalmente a edição que foi um crossover com o Homem-Aranha do século XX), tentando ser exageradamente "tenso", "áspero", "distópico", mas neste especial, o traço de Eric Battle e as cores de Bruno Hang trazem à mente um visual que lembra um pouco o clima de "Superman e a Legião dos Super-Heróis" que saiu alguns meses atrás na Superman mensal.
Outro ponto a favor: a tecnologia do futuro não tenta DESESPERADAMENTE parecer "do futuro", e com isso temos equipamentos com um visual mais crível, e não maluquices como as "aranhas voadoras" de "2099 A.D."(alguém lembra?).
O próximo ponto positivo é uma possível explicação para essa tecnologia familiar: em um momento da história é explicado que 2099 é uma data definida por convenção, que não se sabe ao certo quando foi o tal do Grande Desastre e nem quantos anos atrás ele aconteceu; ou seja, pode tanto ser 2099 como pode ser 2050 ou 2200. Boa explicação! Outra sacada completamente certeira foi alternar para a arte de Frazer Irving na parte 4(que corresponde ao one-shot gringo "Timestorm 2009-2099 - X-men), ambientada em uma paisagem desértica e colorida quase em sua totalidade com tons ocres. Na verdade, correndo o risco de soar fanboy ou empolgado, arriscaria a dizer que esse capítulo tem uma qualidade realmente artística!

Realmente é uma ótima edição, que se por um lado possui uma trama meio rasteira (como os roteiristas tem o dom de fazer mau uso de viagem no tempo...), possui MUITO mérito em revitalizar um cenário secundário e deixar o leitor com vontade de experimentar mais. Altamente recomendado!

Reações: