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segunda-feira, 25 de abril de 2011

A culpa é dos games violentos. Será mesmo?



Seguindo a linha de raciocínio do post anterior do Diogo, resolvi desabafar forte agora com esse texto.
Se você é gamer, nerd, gosta de coisas diferentes do que as "aceitas" pela grande massa, então está acostumado a ser zoado, tachado de bitolado, sedentário, alienado, viciado, estranho, esquisito e mais uma infinidade de adjetivos. Assim como eu, assim como nós do Gambiarra, você provavelmente aceitou tudo quieto, sem causar muito estardalhaço, afinal as pessoas que tanto falam mal são em sua maioria absoluta ignorantes, sem acesso a conhecimento, desinformadas e automaticamente incapazes de manter uma discussão saudável. Mas ultimamente a coisa tem ficado pesada demais. E dessa vez temos que agir.

Depois da afirmação da mídia de que a culpa do ataque em realengo é EXCLUSIVA dos videogames e da previsão irracional de que todos os próximos jovens assassinos do país são aqueles que hoje jogam games de tiro, FPSs, Shooters e afins, me senti ofendida. Não só pelo fato de ser gamer, mas com a capacidade das emissoras, principalmente a sensacionalista Rede Record, de achar que seus telespectadores são tão influenciáveis e incapazes de raciocinar e formar sua própria opinião. 

Já estamos também acostumados com o jornalismo absurdamente sensacionalista da Record e sua necessidade de sangue e tripas ao vivo para sobreviver. Já sabemos como a desgraça alheia é exaustivamente abordada na guerra do IBOPE, já conhecemos bem o carnaval de distorções (trocadilho não por acaso) de todas as tardes impostos pela telinha. Mas mexeram com nossos egos, nos subestimaram achando que poderiam cuspir informações infundadas sem que fizéssemos nada.

Pra resumir,a história foi a seguinte: alardearam a torto e a direito que a maior motivação da chacina em Realengo foram os games de tiro. E deixaram a entender que os pais devem proibir, sem conhecer, sem entender, seus filhos de jogarem tal tipo de games, pois eles influenciam os jogadores adolescentes a se tornarem assassinos também. Esquecem que o assassino já citado era um doente mental, que era perseguido por ser diferente, tão tinha estrutura familiar nenhuma. Esquecem também que a influência negativa dos games no adolescente é infinitamente menor do que aquelas que a própria emissora prima em mostrar: programas que exultam os que traem, brigam, fingem, enganam, mentem; as notícias exacerbadas sobre violência e morte; a banalização do sexo e o apoio à sexualidade precoce; a apologia às drogas, alcool, cigarro.



Se ninguém fizer nada, a coisa vai mais longe ainda.


É fácil colocar a culpa em uma minoria que pode ser esmagada mais facilmente do que a grande massa. É fácil apontar um culpado, escrotizá-lo e depois esquecer de todas as outras deficiências de uma sociedade capengando entre manipulações e troca de influência. É fácil quando se pode livrar sua cara, colocando a culpa em outro menor e com menor defesa. Ainda mais quando essa minoria é desunida e despreparada, assim como somos os gamers.

Despreparados? Desunidos? Fracos? Somos assim os gamers? Sim, somos. Apesar de sermos inteligentes (grande parte devido ao poder de raciocínio maior causado pelo próprio video game), somos todos um tantinho quanto egoístas, individualistas, acomodados. Na certeza de que continuaremos a jogar nossos games, nem que de forma ilícita, ficamos quietos, "não tem nada a ver comigo". Mas, chega né? Já está na hora de agirmos como pessoas maduras, especialmente quando queremos ser tratados dessa forma. Prestem muita atenção, amiguinhos, a visão que o mundo tem de você como pessoa, de nós como grupo, só vai mudar se a nossa atitude mudar. Hoje temos ferramentas eficazes para firmarmos nosso espaço e mostrar nossa opinião sem precisar apelar para o sensacionalismo e preconceito apresentado por aqueles que nos atacam. Sim, jovens gamers, precisamos ser inteligentes. Não adianta nada, mas nada mesmo, exigirmos respeito se não respeitamos outras pequenas massas, tribos, tipos, ou qualquer subgrupo que seja. Ou mais ainda, se não nos damos o respeito. Senão, estaremos descarregando esse preconceito em um outro desses subgrupos e agindo da mesma forma que a grande massa agem conosco: excluindo.


Colocam a culpa nos games dessa vez, antes era o RPG, outras vezes a música, algumas os livros de fantasia. Mas a culpa nunca é dos pais ausentes na criação e formação de caráter e personalidade de uma criança/adolescente. Pais estes que esperam que a escola ou a televisão sejam responsávis pela educação de seus filhos quando todos sabemos que esta responsabilidade é unica e exclusivamente deles próprios. Se você não deixa uma criança ver um pornô, também não a deixará jogar games fora de sua faixa etárea, pois sim, existe uma classifcação em TODOS os jogos, mas que nunca é respeitada.




Minha dica é a seguinte: não apele para palavras sujas, termos xulos, extremismos, acusações infundadas e toda essa variedade de inutilidades para ser ouvido. Seja esperto. Use do seu canal de comunicação (twitter, facebook, orkut, blog, fóruns) para se manifestar e mobilizar seus semelhantes e, assim, atingir aqueles que nos atingem. Sigam a @Acigame (Associação Comercial Industrial e Cultural dos Videogames) e o @jogojusto, pessoas que levam games e gamers à sério. Vamos cobrar da Acigame um posicionamento contra esse tipo de preconceito e apoiá-los. Façam posts, usem tags, comentem, mandem emails, reclamem, falem, usem do seu poder de comunicação, mas de maneira inteligente, se faça entender sem precisar baixar o nível da conversa. Se informem, se munam de argumentos e conhecimento para poder rebater as acusações contra o que somos. São tantos os blogs de games que se juntarmos forças, seremos grandes.


Deixo o link para entrar em contato direto com o site R7 aqui. E queria pedir-lhes um favor. Mandem via comentário ou no twitter os links dos sites e blogs e discussões gamers sobre este assunto. A Rede Record precisa entender que não somos tão alienados como ela pensa.

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