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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Na estante: Os próprios deuses - Isaac Asimov

Olá, caros leitores! Aqui estamos novamente com um na estante, hoje estrelando um dos maiores nomes da ficção científica mundial do século XX, o "bom doutor" Isaac Asimov, com uma obra tipicamente hard e (espero eu) à prova de filmagens. Vamos a ela?

A história é dividida em três grandes seções interligadas e independentes ao mesmo tempo, denominadas, "Contra a estupidez...", "...Os próprios deuses..." "...Disputam em vão?". A primeira delas conta sobre a descoberta revolucionária de uma fonte de energia(a bomba de elétrons) baseada na transferência de matéria entre a nossa dimensão e uma dimensão paralela, com leis da física diferenciadas que permitem a existência de outros elementos impossíveis em nossa realidade. A descoberta dessa fonte de energia potencialmente ilimitada parece a solução perfeita para a crise energética, porém um jovem físico, Peter Lamont, ao pesquisar sobre a origem da bomba, suspeita que ela seja, na verdade, mais idealização dos habitantes do "para-universo" do que dos cientistas da Terra, e ao mexer com egos poderosos, vê sua carreira acadêmica ser destruída como se nada fosse.

Prosseguindo em sua busca pela verdade, Lamont obtêm o auxílio de um linguista disposto a decifrar as mensagens que foram enviadas pelos habitantes do para-universo no início da interação entre as duas realidades, e o que acaba sendo descoberto é uma mensagem desesperadora, uma vez que as leis físicas do outro universo estão gradualmente se infiltrando no padrão da realidade "principal", gradualmente acelerando o consumo de combustível solar de maneira que ele entre em fase de nova dentro de cerca de 100 anos. Em posse dessa informação, Lamont tenta alertar as autoridades responsáveis pela bomba. O que acaba sendo inútil. E esse primeiro tomo termina com Lamont e o linguista descobrindo que os alienígenas com quem eles travaram a comunicação até então não eram, como eles supunham, as autoridades da outra realidade tentando evitar a hecatombe, mas sim um OUTRO grupo de cientistas que em sua realidade também não estavam sendo ouvidos por seus pares.

A SETENTÁSTICA capa da antiga tradução da Hemus.
E aí? Já deu para explodir a cabeça?Mundos paralelos, transferência de matéria, picuinhas acadêmicas, leis da física contaminadas, ameaça do sol entrar em nova... E isso é só UM TERÇO da história...
Aí entramos no segundo terço da história, de onde vem o título do livro e onde muita coisa será esclarecida. Ah, sim. Também é onde seu cérebro levará uma surra monumental. Vai doer. No pain, no gain.

O segundo tomo trata de nos apresentar ao para-universo e seus habitantes. E aqui temos uma das maiores viagens de criatividade que eu já vi em termos de alienígenas. Trata-se de seres à base de energia que têm sua identidade dividida entre TRÊS sexos diferentes, cada um com seus papéis e expectativas sociais bem definidos. O foco da narrativa fica em uma família (ou "tríade", como eles se referem) desses seres, um dos quais está envolvido no projeto da bomba de elétrons pelo lado de lá. Basicamente, vemos a história de como os três membros chegam a formar sua própria tríade e como o componente racional da tríade descobre sobre os perigos da bomba e passa a tentar alertar os habitantes da nossa realidade. Este tomo se encerra com a descrição dessa tríade, em particular, ao passar para o seu próximo estágio de maturação.

"Eu explodi sua cabeça!"
Por fim, temos o terceiro tomo, "...Disputam em vão?", em que Benjamin Denison, um cientista que foi ridicularizado à época da descoberta da bomba de elétrons, parte para uma colônia lunar em busca de reiniciar sua carreira acadêmica e acaba se envolvendo com a pesquisa de uma forma de equilibrar os efeitos da bomba sem que a humanidade perca os benefícios de seu uso.

Bom, a essas alturas talvez tenha alguém reclamando de spoiler, mas posso garantir: o que eu contei aqui é NADA perto da complexidade da narrativa e dos temas abordados... O "bom doutor" era um escritor e tanto! Ele abre espaço para discussões das mais variadas na obra, como ética acadêmica, ambientalismo, identidade de gênero... Fica claro que a Editora Aleph acertou na mosca com esta nova tradução(a única disponível em língua portuguesa anteriormente datava de 1972, pela Editora Hemus). Os temas abordados são extremamente atuais, além de muito inovadores. Mais uma bola dentro para os clássicos!

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