Teste Teste Teste

comments powered by Disqus

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tokusatsu Review: Kamen Rider Hibiki

Kamen Rider Hibiki, de 2005, foi uma das poucas séries dentro da cronologia atual dos motoqueiros mascarados que tentou quebrar todos os paradigmas anteriores, mas sua originalidade foi entendida por poucos. Mas em minha opinião, está entre as melhores series da franquia... mesmo que nem precisasse se chamar de Kamen Rider.

Adachi Asumu é um adolescente japonês normal, vive em uma era moderna de celulares e internet, e convive diariamente com valores milenares. Viajando com sua família para uma cerimônia budista, acaba por conhecer um estranho homem chamado Hibiki. Na casa dos 30 anos e um tanto atrapalhado (sem ao menos saber dirigir um carro), Hibiki é um membro de uma organização chamada Takeshi, que visa destruir um determinado grupo de demônios que perambula a muitos séculos nas ilhas do Japão. Os agentes dessa organização se denominam como Oni (uma espécie de demônio) e utilizando-se de armas que emitem feixes de som puro, caçam os Makamous por todo arquipélago. Para Asumu tudo isso era fascinante e assustador ao mesmo tempo, pois descobriu que existia muita coisa alem de suas preocupações com o vestibular e as garotas da escola. Mas se envolver nessa guerra lhe traria algo de bom?

Pra contrariar todos os programas do gênero, vemos que para Takeshi a caçada aos Makamou é uma missão divina e uma jornada de trabalho como qualquer outra. Os "empregados" Onis possuem escala, salário, e locais específicos para atuar.Cada tipo de inimigo é encontrado em determinada região do Japão, bem como seu ponto fraco difere de todos os outros de sua espécie. Por isso cada Oni usa uma particular que emite um som especifico para destruir determinada tipo de ameaça. O curioso é que essas armas tem aparência de instrumentos musicais, boa parte deles remetendo a tradicional musica japonesa. O protagonista Hibiki por exemplo, usa bastões de Taiko, mas seu treinamento consiste tanto em habilidades marciais quanto no uso desse instrumento.
Shigenore Takadera, produtor dessa série, resolveu imprimir um tom bem diferente de sua ultima investida na franquia, que foi Kamen Rider Kuuga de 2000. Hibiki não seguia nenhum dos padrões conhecidos pelos fãs: não possuía os olhos gigantes de inseto, não pilotava moto, não tinha um chute como golpe final e nem se transformava gritando “Henshin”. O protagonista era uma pessoa pacata, mas transformado possuía chifres e cuspia fogo nos inimigos ! Aliás, em momento algum nos 48 episódios da serie é citado o nome Kamen Rider!
O caminho que a serie seguia acabou não agradando os executivos da Toei (estúdio dono da franquia), e a contragosto dos atores e da equipe de produção original teve que acatar com algumas alterações em sua estrutura. A venda de brinquedos na primeira fase da serie estava baixa, ainda mais comparando com a série anterior (Kamen Rider Blade) que era uma verdadeira vitrine de bonecos e acessórios. Ok, Hibiki tinha esses elementos em menor escala, mas era um tipo de historia que realmente não agradava todo tipo de criança e nem muitos fãs velhacos. No Brasil não foi diferente, mesmo obviamente não sendo o público alvo da série (que é feita pra orientais, é claro) a gama de fãs conhecidos na blogosfera brasileira como “viúvas do Black”, execrou Hibiki até não poder mais. Pena, quem deu chance pode acompanhar uma história surpreendente, contada de forma muito diferente do que estávamos acostumados dentro do gênero tokusatsu, que hoje é mais do que nunca embasado na venda de brinquedos e não no simples ato de mostrar uma boa aventura heróica.

Devo dizer que essa se tornou a minha série preferida dentro do que foi feito pela franquia dos anos 2000 em diante. Ótimos personagens, designs e trilha sonora. Um dos poucos tokusatsus que adultos se comportam como adultos (sem pieguices e caretas) e crianças como crianças, ambos fazendo de tudo para vencer conflitos que estão muito além da capacidade de apenas uma pessoa derrotar.Tudo isso embalado sobre uma verdadeira aula sobre o povo japonês, em seu eterno conflito entre o novo e o velho modo de vida. Excelente !





PS: o post ficou um tanto grande, mas acabei não falando nem metade do que eu gostaria sobre Kamen Rider Hibiki :)

Reações: