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segunda-feira, 5 de março de 2012

Hieróglifos: Mirza, a mulher-vampiro

Olá, pessoal! Aqui estamos, dando partida em nossa coluna de quadrinhos antigos e iniciando com uma personagem clássica da HQ nacional. Trata-se de Mirza, a Mulher-Vampiro.
A personagem, criada em 1967 pelo roteirista/desenhista ítalo-brasileiro Eugênio Colonnesse, reúne todas as características típicas dos quadrinhos de terror dos anos 70, que apresenta uma elevada dose de erotismo propositalmente chocante para a época, com bastante influência dos filmes da produtora inglesa Hammer (principalmente no uso de figuras femininas simplesmente esculturais).

As histórias da personagem no geral seguem uma entre duas fórmulas: a maioria é o horror inspirado nos velhos pulps, apresentando a mulher sexy que por algum motivo torna-se alvo de malfeitores e torna-se a vítima frágil. E então, numa reviravolta que mexe com os padrões do gênero, em vez de aparecer um herói machão para salvar a garota, a própria garota torna-se a heroína monstruosa e leva a vingança às forças do mal.
O outro tipo de história, que representa uma minoria, são contos de terror um pouco mais aprofundados, até mesmo com um pezinho ali no horror do romantismo gótico, como "De Volta ao Mundo do Terror", a história em que Mirza encontra-se com seu criador (que na época desta história, 1981, de fato estava um tempo sem escrever as aventuras de Mirza) e o convence a voltar a escrever terror, ou a empolgante "A Maldição de Mirella Zamanova", que sem qualquer exagero, daria bem um roteiro de filme de terror (dirigido por José Mojica Marins?).

O histórico de publicação da personagem é um tanto quanto acidentado, tendo sido publicada e republicada, desde 1967, pelas mais diversas editoras voltadas ao quadrinho nacional, sendo que o grosso dessa publicações pode ser encontrado no Max Almanaque Mirza A Mulher-Vampiro, pela editora Escala (a edição que tenho em mãos, por sinal), que além de apresentar as referidas histórias divididas por seus períodos de publicação, ainda traz uma galeria de capas das revistas onde Mirza esteve presente, uma entrevista com seu criador e uma cronologia das publicações e republicações. De fato, como pontos negativos nessa edição, só consigo pensar em dois: o fato dela ter sido lançada em formatinho, sendo que muitas das histórias originais da vampira, digo, "mulher-vampiro" foram lançadas em revistas de terror em formato americano, e o fato da tal galeria de capas ser em preto e branco, sendo que as referidas revistas eram com capas coloridas e miolo em preto e branco. Fica a dica para futuras editoras que quiserem organizar antologia semelhante...

E é isso. Uma personagem brasileira de um gênero não muito explorado em nossas terras, criação de um dos grandes nomes do quadrinho nacional e que merece muito ser conhecida por qualquer apreciador de horror ou de quadrinho nacional que ainda não o tenham feito! Até a próxima!

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