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terça-feira, 27 de março de 2012

Pipoca: Jogos Vorazes




Estou surpreso com esse filme. Eu venho vendo faz um bom tempo seus livros à venda e com o hype todo pelo filme, mas realmente ele acabou me surpreendendo. Confesso que esperava um filme leve, mais juvenil, num tom semelhante às Crônicas de Nárnia e de repente me deparei com algo bem mais sombrio, ecoando obras como 1984 e O Sobrevivente. Ao adicionar ao mix adolescentes/crianças como protagonistas, temos já uma referência a O Jogo do Exterminador.


Born to be bucha.
A trama apresenta um futuro distópico em que os Estados Unidos foram divididos por um conflito interno e conseguiram recuperar sua união instituindo uma espécie de reality show brutal em que 24 jovens competem até a morte para... Hã... Matar os outros? Sobreviver? Serem os vencedores? Acho que isso, a motivação por trás dos tais jogos não ficou muito claro.
Como disse acima, esse filme é uma obra bem mais sombria e pesada do que as Crônicas de Nárnia. A mera premissa de uma competição até a morte entre crianças e adolescentes já me parece exageradamente apelativa, e algumas dessas mortes são brutais demais. O tipo de coisa que eu entenderia ver num filme do Schwarzzenegger, mas que me parece gratuito quando mostrado com atores que nem têm idade para beber, ainda.
Fora isso, passando para o lado técnico do filme, ele me pareceu ter uma duração maior do que deveria. Certas cenas parecem ser mais alongadas do que deveriam. Talvez seja reflexo de tentar adaptar as passagens da forma do livro, não sei pois não li o livro, mas acabou funcionando apenas para deixar certas partes arrastadas demais.
Quanto às partes de ação, está bem longe de estar arrastado, felizmente, embora em minha opinião elas pudessem ter saído melhores com uma filmagem mais firme, sem a câmera chacoalhando o tempo todo, mas aí já é gosto meu, não propriamente um defeito.
Enfim, é um filme até que legal, mas o que acabou sendo chocante demais, de maneira até gratuita, foi essa combinação das três obras de referência mencionadas acima, que são, a rigor, obras críticas, uma com mensagem contra o totalitarismo, outra com mensagem contra a sociedade acorrentada a um entretenimento "pão e circo" e o outro com uma mensagem anti-militarista. Legal, até aí beleza, gosto de cada uma dessas obras, cada uma em seu campo. Mas nenhuma delas foi vendida como obra voltada ao público infantil, né? A impressão que fica é que ao misturar tudo isso e lançar como filme infanto-juvenil, em vez de termos um comentário CONTRA a ditadura do entretenimento, temos isso sim, um EXEMPLAR desse tal entretenimento. Será que no fim das contas acabamos nos tornando a própria sociedade que é a audiência de O Sobrevivente?

Trailer do filme:

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