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terça-feira, 3 de abril de 2012

Hieróglifos: A saga das trevas eternas

Saudações a todos! Lá vamos nós revirar novamente o metafórico baú dos quadrinhos antigos. Desta vez averiguaremos um canto um pouco esquecido do baú, que paradoxalmente nos leva ao futuro. Um futuro hoje esquecido, onde encontramos um dos mais interessantes supergrupos da DC Comics, em minha opinião. Estamos no Século XXX e vamos falar da Legião de Super-Heróis em uma de suas mais marcantes aventuras pré-Crise. Eu colocaria um aviso do tipo "contém spoilers", mas sinceramente, é uma história de mais de 30 anos atrás e a edição de 2008 da Panini já traz logo na capa O spoiler do grande mistério da história, então vamos ao texto, certo?
A história é passada em um momento brilhante da Legião (doravante, LSH), com texto de Paul Levitz e traço de Keith Giffen. Coisas importantes vinham acontecendo com o grupo antes dessa história, como a admissão de Jacques Foccart como o Rapaz Invisível II, a destruição da sede por Computo (ocupando o corpo da irmã de Jacques), o desligamento de Karate Kid e Princesa Projectra do grupo devido a seu casamento, e o clima interno pesado causado pela polêmica "missão suicida" capitaneada por Camaleão (que inclusive resultou na detenção deste). A história, separada em 5 capítulos originalmente publicados ao longo de agosto-novembro de 2982, digo, 1982, conta o renascimento do novo deus maligno Darkseid em um futuro em que seus grandes inimigos, como Superman, Órion e o Pai Celestial, já haviam deixado o mundo dos vivos, tornando-o um terreno fértil para sua dominação cósmica. Nesse cenário, cabe aos legionários retomar a luta tomada pelos heróis lendários do milênio anterior.
O roteiro é impressionante no sentido de demonstrar e aproveitar os poderes da MULTIDÃO de super-seres que povoam suas páginas, como a sequência em que Violeta invade uma artéria de um dos servos de Darkseid para bloquear o fluxo sanguíneo ao cérebro e causar um derrame, ou a sequência em que para derrotar outro dos servos (este, um clone do Superman feito de matéria inanimada) o grupo usa de trabalho de equipe para fazê-lo lutar contra o Superboy, que após ser derrotado, é envolvido por um escudo de chumbo para protegê-lo do efeito de uma PEDREIRA de kryptonita amarela, que drena os poderes kryptonianos, tornando o servo apenas um golem de pedra facilmente destruído por Lobo Cinzento.
Mas sem dúvida, o grande FILÉ dessa saga é ver Darkseid dominar as mentes de TODO O PLANETA DAXAM, teleportar o planeta para a órbita de um sol amarelo (dando poderes kryptonianos a 3 bilhões de escravos obedientes) e ordenar que os habitantes do planeta QUEIMEM TUDO e remodelem o próprio planeta na forma de um monumento a Darkseid. O monólogo de Darkseid nessa parte (que até então mantinha sua identidade em segredo e se revela quando os daxamitas completam essa tarefa nefasta) é arrepiante!
Outro ponto interessante é como o final dessa saga na verdade não é ainda o fim, pois ao ser (obviamente) vencido pelas forças do bem, Darkseid parte, mas os deixa com uma maldição, que somente viria a se manifestar mais de um ano depois, em uma história publicada em julho de 1984 (essa história está incluída no encadernado da Panini e tem participação do grande Curt Swan nos desenhos), onde em meio a uma trama mística envolvendo o feiticeiro Mordru paralelamente ao nascimento do filho de Relâmpago e Satúrnia, descobrimos que na verdade, o casal teve gêmeos, um dos quais foi sequestrado por Darkseid no momento do parto e transportado para o passado, onde tornou-se um dos mais antigos inimigos da LSH, o monstrengo irracional chamado Validus.
No geral, o encadernado é bem legal. Deixa um pouco a desejar no departamento de extras, com apenas breves biografias dos roteiristas e desenhistas, além de uma galeria de capas originais. A julgar pela antiguidade da história, creio que teria sido interessante um breve "quem é quem", ou uma recapitulação da história da LSH e dos novos deuses até o momento da saga. Mas a história é muito boa, sólida, se sustenta por si só e é um ótimo exemplo de como ainda existiam áreas COERENTES na DC pré-Crise, além de uma agradável oportunidade de rever alguns personagens clássicos em seu auge (como a Supergirl aí em cima, dividindo com o Superboy um momento "mas você aguenta, Darkseid").

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