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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Pipoca: Área Q

Ficção científica nacional. Confesso que fiquei um tanto apreensivo com a expectativa de finalmente assistir um filme que atendesse a essa descrição. Minhas informações podem até estar incompletas, mas até onde eu saiba, este é o primeiro filme brasileiro no gênero. E ele é bom? Vale sua ida ao cinema? Vale, mas é importante vermos seus pontos negativos e positivos.
Primeiro uma breve sinopse: O filme conta a história do jornalista norte-americano Thomas Matthews, enviado por um jornal americano para cobrir relatos de aparições de OVNIs em uma região do interior do estado do Ceará. Em sua investigação, Matthews conhecerá tipos peculiares e passará por experiências que colocarão à prova sua visão do mundo.

O filme segue um estilo bem semelhante ao de Arquivo X, se focando no mistério e na investigação em vez de espaçonaves, aliens com exotrajes e coisas do tipo. E isso é muito bom, pois nos poucos momentos que o filme se aventura pela área dos efeitos especiais ele infelizmente deixa a desejar, com efeitos com cara de "efeitos de novela". Ao concentrar o filme em uma história contada do ponto de vista de um jornalista investigativo o roteiro consegue uma solução inteligente para contornar essa limitação, o que é um ponto positivo.
Outro ponto positivo é a caracterização. Em todos os momentos o filme consegue CONVENCER como algo ambientado no sertão cearense (afinal, ele efetivamente É filmado com atores locais em vez de um monte de globais fazendo o papel de sertanejos). Do mesmo modo, a escolha do americano Isaiah Washington para o papel de Thomas Matthews foi uma decisão mais do que acertada. Salta aos ouvidos a diferença sonora do inglês dele e o dos brasileiros que contracenam com ele. E isso nos leva a um outro ponto, curioso, que é o fato deste ser o filme brasileiro MAIS legendado que eu já em toda minha vida! De fato, diálogos com áudio em português são a minoria absoluta, o que acaba contribuindo para nos deixar do lado do protagonista, nos passando a sensação de "cultura desconhecida" que supostamente ele deveria sentir. Boa sacada!
O último ponto positivo que não pode ser deixado despercebido é que para variar colocaram um ator negro como protagonista! Claro, é um negro norte-americano, não brasileiro, mas ainda assim é interessante, até mesmo como forma de reflexão sobre a ausência de atores brasileiros com identidade negra que possuam destaque suficiente por si mesmos para um papel desse tipo (penso apenas em uma meia dúzia).
Por fim, um filme interessante. Consegue ser uma ficção científica com cara de Brasil (leitores de Roberto S. Causo e Miguel Carqueija devem ter uma noção do que quero dizer com isso), e não uma "novela das oito falando de OVNIs", além de ser ciente de suas limitações técnicas e não tentar dar um passo maior que a perna. Recomendo tranquilamente para fãs do gênero de conspiração.

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